
Necropassional
Enfim recebo, de Afrodite, o presente
Que em toda a minha vida tanto cobicei...
Tenho em minha cama a deusa que tanto venerei,
Mesmo que em suas veias não corra o sangue quente.
E os suculentos lábios que tanto sonhei tocar,
Agora estão secos, frios, sem qualquer maciez.
E teus cabelos dourados, sua linda tez,
Transformados em uma triste moldura de pesar...
Mas, mesmo assim, de ti não tenho asco,
Pois se o tempo fora para mim um carrasco,
Tenho-a em meus braços, mesmo que morta!
E enfio minha língua em sua boca, com paixão,
Faço amor com seu cadáver em decomposição,
Ignorando o esgar sinistro em sua face torta.
Enfim recebo, de Afrodite, o presente
Que em toda a minha vida tanto cobicei...
Tenho em minha cama a deusa que tanto venerei,
Mesmo que em suas veias não corra o sangue quente.
E os suculentos lábios que tanto sonhei tocar,
Agora estão secos, frios, sem qualquer maciez.
E teus cabelos dourados, sua linda tez,
Transformados em uma triste moldura de pesar...
Mas, mesmo assim, de ti não tenho asco,
Pois se o tempo fora para mim um carrasco,
Tenho-a em meus braços, mesmo que morta!
E enfio minha língua em sua boca, com paixão,
Faço amor com seu cadáver em decomposição,
Ignorando o esgar sinistro em sua face torta.
.../07/98
Rodrigo Santos
Rodrigo Santos
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