quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O Vale Sombrio

I

Caminho sozinha por esse vale sombrio...
Sozinha não,
Eu e a saudade.

Estou triste, caminhando por esse vale...
De repente, paro.
Lágrimas escorrem pelo meu rosto
E vejo fantasmas ao meu redor...

Fantasmas que me querem bem
Tem um que eu não reconheço
Ele senta, enxuga meu rosto e sorri...

Um sorriso calmo,
Um sorriso que consola...
De repente, estou rindo

O vale vai se tornando menos sombrio
Fantasmas alegres, conversam
Não estou mais triste
Estou feliz pela primeira vez

Aquela sombra e eu
Dançamos, sobre a luz do luar...
Continuo rindo
De repente, paro.

Eles estão se despedindo
Eles estão sumindo
Seguro a mão dele, e do nada
Ele também some

Estou triste e sozinha
Caminhando por esse vale...

II

Continuo a vagar por esse lugar
Por esse vale sombrio
Tendo apenas por campanhia
A doce luz do luar

As sombras se foram,
E com elas o sentir,
O amor... O viver
Tudo o que resta é vagar

Vagar sem rumo nem esperança
Caminhar, passo após passo
E nada encontrar
Nem uma viva alma, nesse eterno pesar

Antes, rezava para o reencontrar
Mas agora...
Rezo para sentir
Sentir o doce beijo da morte

Senti-la chegar de mansinho
Como uma suave brisa
E chamar por minh'alma
Com seu sedutor canto

Mas, ai de mim!
Nem a morte me quer
Chego ao fim do vale
-O que encontrarei agora?

III

Sinto medo
Do que poderei encontrar
Sinto que minha longa jornada
Em breve terminará

Escuto vozes ao longe
Lindas e doces vozes a cantar
Escuto a bela música
E sinto o coração disparar

Durante todo esse tempo,
Agora fica claro para mim,
Tudo o que desejei
Era lá estar

Rostos lindos, pequenas ninfas
Sedutores rapazes, ficaram a me observar
Então, de um canto obscuro
Eu o vi chegar

Seu sorriso, seus lábios
Seu olhar...
Como eu o amava!
E mesmo que não soubesse, por ele era amada.

Puxou-me para um abraço
E soube que, dessa vez, não sumiria
Uma brisa suave chega até mim
E, merda! Soube que morreria...

IV

O vento parou
E ri de minha estupidez
Como - perguntei-me -
Seria a morte a chegar?

Como?
Se em meu corpo
Já não mais existe vida?

Vi agora, toda a beleza do lugar
A música! A dança! As pessoas!
E meu tão amado luar

Que ironia - pensei
Que no mundo dos mortos
Haja tanto calor
Tanta vida!

Lembrei-me do vale sombrio
E descobri que já não o veria
Estava, agora, entre os meus
E chega de tanta poesia!



Fim xD


A primeira parte foi escrita quando eu tinha 14 anos o/ E só escrevi as outras faz pouco tempo. As duas últimas são, de longe, as preferidas xDDD

Divirtam-se xD

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